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Mamografias são um “crime contra mulheres” porque causam cancro da mama?

8 Dez 2023 - 10:16
falso

Mamografias são um “crime contra mulheres” porque causam cancro da mama?

Circulam no Facebook várias publicações em que se alega que a “mamografia é o maior crime organizado contra as mulheres”, por, supostamente, causar cancro da mama.

Segundo os autores destas publicações, as mamografias têm vários efeitos negativos na saúde, nomeadamente a estimulação do “crescimento de tumores” e “a disseminação de metásteses”.

Numa destas publicações, refere-se, aliás, que um estudo “com 690.000 registos” mostrou “que mulheres completamente saudáveis desenvolveram cancro da mama num grande número de casos após os exames mamográficos”. Mas terão estas alegações fundamento?

É verdade que as mamografias são um “crime” porque causam cancro da mama?

Em declarações ao Polígrafo e ao Viral, o oncologista Gonçalo Nogueira Costa – ligado a um estudo clínico europeu de que faz parte o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (o BRIGHT) – adianta que as mamografias não são “um crime” contra as mulheres, mas sim um meio que pode levar a salvar vidas.

O oncologista começa por esclarecer que “a mamografia pode ser utilizada em diversos contextos”. 

Ou seja, este exame pode ser usado como rastreio em pessoas saudáveis para identificar um eventual tumor, sem que exista “qualquer queixa ou suspeita de uma doença”, ou em pessoas que “já tiveram cancro ou que têm” como vigilância.

No segundo caso, a mamografia é utilizada “para ver se o cancro volta ou até para avaliar se o cancro está a responder ao tratamento”.

Ora, o que está em causa neste post, na opinião do oncologista, é o rastreio em pessoas saudáveis que, “geralmente, principalmente nas patologias oncológicas, é implementado num país com um propósito: reduzir a mortalidade daquela doença; a taxa de mortalidade”.

O médico clarifica que a radiação emitida durante uma mamografia “é muito baixa e os benefícios suplantam o risco”. Isto porque, graças a este exame, a “taxa de mortalidade poderá ser reduzida em pelo menos 20%, dependendo depois de vários fatores”.

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Gonçalo Nogueira Costa lembra ainda que “a radiação, com as técnicas de que dispomos hoje em dia, é bastante menor”, estando sempre em “níveis abaixo daqueles que são proibidos pelas principais agências farmacológicas”.

Por exemplo, continua o oncologista, nos Estados Unidos da América “a utilização da mamografia anual tem uma taxa de radiação inferior àquela que a FDA (Food and Drug Administration) considera limite”. Isto significa que “o total da radiação é muito inferior ao real benefício que a mamografia pode trazer”, acrescenta o especialista.

No mesmo sentido, num texto informativo da Cancer Research UK (uma das principais organizações independentes de investigação do cancro a nível mundial), aponta-se que “cada mamografia expõe a mulher a uma pequena quantidade de radiação proveniente dos raios X, mas a quantidade de radiação é muito pequena”.

A mesma entidade esclarece que é “muito raro” os raios X poderem causar cancro e que “a realização de mamografias de 3 em 3 anos durante 20 anos aumenta muito ligeiramente a probabilidade de contrair cancro ao longo da vida de uma mulher”.

Assim sendo, é falso que as mamografias possam ser descritas como um “crime organizado contra as mulheres” já que, além de a probabilidade de levarem ao desenvolvimento de cancro ser muito baixa, os seus benefícios são superiores aos riscos.

Quando se deve fazer o rastreio do cancro da mama?

As recomendações para a realização do rastreio do cancro da mama variam ainda de país em país. “Há até países que recomendam o rastreio mais cedo, a partir dos 40 anos, por exemplo, e, em Portugal, a recomendação é a partir dos 50 anos”, destaca o oncologista.

Estas recomendações de rastreio estão inscritas no site do Serviço Nacional de Saúde, onde se pode ler que “o consenso inclui a realização de mamografia a cada dois anos, dos 50 até aos 69 anos de idade”.

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8 Dez 2023 - 10:16

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